14 de setembro de 2010

Eu e a Vida

Eu tenho uma boa relação com a Vida. Uma relação de 32 anos pautada pelo respeito mútuo, pela cumplicidade e por uma misteriosa atracção.

É verdade que eu adoro a Vida, e em momento algum lhe perdi o desejo. Mas também me parece óbvio que a Vida gosta de mim, a ver pelos inúmero mimos com que me vai presenteando, volta não volta.

A Vida é irrequieta. Sempre que me vê cair na monotonia, ou me acha mais cinzento, dá logo um daqueles abanões que me deixa sem fôlego, em êxtase.

Há quem estranhe, se constranja ou se desoriente com os abanões da Vida, mas eu não. Dou-me ao turbilhão com um estranho sorriso malandro nos lábios. E assisto deliciado a esse espectáculo que desnuda a minha pequenez, tornando-me mais forte e preparado.

Vamos lá, Vida, que esperar nunca foi o teu forte...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...


Excerto de "Paciência", de Lenine.

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