28 de janeiro de 2008

Treinador de Bancada

O Clássico

O Sporting tem três jogadores acima da média (Polga, Moutinho e Liedson), um conjunto de jovens muito talentosos mas com défice de experiência competitiva e um plantel com lacunas, cuja débil situação financeira não permite colmatar. Começou a época com dois grandes reveses: a saída inesperada de Marco Caneira, o pêndulo da defesa, e a grave lesão de Derlei.

Tem um jovem treinador, que tem espremido ao máximo os recursos de que dispõe e um presidente que tem tido a inteligência de proteger o treinador e a estratégia de rentabilizar os jovens jogadores formados no clube, não reagindo ao mediatismo e às pressões externas.

O Porto tem quatro jogadores de nível mundial, com capacidade para jogar em qualquer clube do mundo (Lucho, Quaresma, Bosingwa e Lisandro) e um plantel equilibrado, com várias opções de qualidade para todas as posições do campo. Tem saúde financeira proveniente das recentes conquistas e das vendas de jogadores projectados por Mourinho, a confiança das muitas vitórias recentes, um presidente astuto que percebe muito de futebol e um treinador fraco, quer tecnicamente, quer psicologicamente.

O Porto chegou ontem a Alvalade com 14 pontos de avanço sobre o Sporting e 11 sobre o Benfica, podia arriscar já que o pior que lhe podia acontecer era perder e ficar a 8 pontos do segundo classificado. Mesmo assim, Jesualdo Ferreira optou por meter mais um médio defensivo na equipa (Cech), não tirando vantagem do facto do Sporting jogar com dois laterais com deficiências defensivas. Sofreu dois golos no primeiro quarto de hora mas só ao intervalo alterou a equipa, só a meio da segunda parte arriscou tudo e aos 82 minutos colocou a cereja em cima do bolo, substituindo Quaresma para não mais o Porto criar jogadas de perigo.

O Sporting partiu para o jogo com o título perdido e a saber que o Benfica tinha ganho na noite anterior. Em caso de derrota ficaria com a luta pela Champions seriamente comprometida. Vinha de uma série negra de resultados para o campeonato e a jogar mal. Paulo Bento apostou em Vukcevic para jogar ao lado de Liedson, e colocou Moutinho e Ismailov na ajuda aos laterais. É verdade que foi muito mais feliz na concretização, que o segundo golo é precedido de fora-de-jogo e que o Porto teve várias oportunidades para marcar, mas o treinador do Sporting com as suas decisões conseguiu ganhar a um adversário com muito mais qualidade e em posição muito mais confortável. E não tem culpa que o treinador adversário seja tão incompetente.

Grande exibição do miúdo Pereirinha, do russo Ismailov e do adaptado Vukcevic. Mais uma exibição memorável de João Moutinho, que provavelmente escapou a quem só olha para a bola.

A reacção de Quaresma no momento da substituição mostra porque razão não evoluiu tão depressa como, por exemplo, Cristiano Ronaldo.

O discurso de Paulo Bento, quer na derrota, quer na vitória, é admirável. Não se esconde em desculpas fáceis, não se irrita com perguntas incómodas mas pertinentes, é sincero e objectivo nas suas análises. Um exemplo que devia ser seguido por mais treinadores, que usam e abusam de lugares-comuns.

Febre de Sábado à noite, em Guimarães

Por motivos profissionais não pude ver o jogo com a atenção que gosto. Mas o que vi não me fez mudar a opinião que tinha antes do jogo.

O Benfica tem um plantel desequilibrado, com muita falta de qualidade ofensiva. Insiste em jogar com uma táctica desajustada às características dos seus jogadores, raramente consegue dominar e empurrar o adversário para trás. As transições ofensivas são lentas e previsíveis e a equipa depende demasiado de três jogadores: Rui Costa, Nuno Gomes e Rodriguez, sendo que os dois primeiros já só “duram” 70 minutos.

O Guimarães tem uma equipa, na verdadeira acepção da palavra. Ataca e defende em conjunto, chega ao ataque em poucos segundos e tem uma dinâmica constante. Tem um treinador arrojado e um plantel equilibrado, com diversas soluções.

No Sábado o Benfica foi muito eficaz (marcou nos dois primeiros remates à baliza), e teve uma grande atitude e capacidade de sofrimento. Soube esconder as suas lacunas com empenho, dedicação e uma ponta de sorte. O Guimarães fez uma primeira parte fraca, claramente afectada pelos dois golos sofridos, mas depois do intervalo arriscou, aumentou a frente de ataque, marcou um golo, encostou o Benfica às cordas e acabou derrotado por um lance infeliz do Guarda-Redes.

O Sr. Luís Filipe Vieira, em vez de fazer discursos populistas sobre a arbitragem, devia estar preocupado em fechar a contratação de Makukula, em comprar o passe de Rodriguez, em renovar o contrato de Leo e em contratar um médio direito para que o seu treinador possa finalmente jogar no sistema que tanto gosta.

1 comentário:

Paulo disse...

Ok,na altura estava o Simão,sinceramente agora não tenho trocas daí,mas se quiseres leva o Paulo Bento e o inteligentissimo Moutinho (mais conhecido por cabeças),com aquelas grandes jogadas sem bola,que ninguém percebe,se calhar ficavas mais bem servido,e eu sem dores de cabeça!!!
Abraço