20 de junho de 2007

Ribeirarte

Recebi, na minha caixa de correio electrónico, a seguinte mensagem:

Prezados clientes e amigos.

Venho informar todos os clientes e amigos que estou a terminar as minhas funções de gerente desta empresa, que exerço desde a inauguração das obras de remodelação do 1º piso do Mercado da Ribeira, em Novembro de 2001.

Efectivamente desde Abril passado que uma nova gerência tem vindo a dar continuidade a este trabalho neste importante espaço da cidade de Lisboa, na prossecução do objectivo de revitalizar este edifício com 125 anos de história tão rica e intensa, como a importância que este mercado teve no abastecimento da cidade e da região de Lisboa de produtos de consumo.

Assim, agradeço publicamente toda a colaboração e amizade que foi possível estabelecer com muitos dos clientes desta casa, bem como com os fornecedores, na certeza que nos voltaremos a cruzar.

Com amizade e consideração

Vítor Sarmento


A minha ligação ao Mercado da Ribeira, e em especial ao bar Ribeirarte, é antes de mais afectiva. Não recordo ao certo em que dia é que lá toquei pela primeira vez, mas seguramente que já passaram mais de dois anos sobre essa data.

Durante muito tempo os Boémia preencheram as noites de quinta-feira, semana após semana, mês após mês. Foi dos poucos bares em que nos sentimos como banda “residente”, não só pela assiduidade com que éramos chamados mas principalmente pela forma como éramos acarinhados pela Alice, Cátia, Jordan, Susana, Fátima entre outros. Ali vivemos muitas histórias de partilha, conhecimento e comunhão. Naquele espaço físico e humano sentimos que fazia sentido a nossa luta, que havia respeito e carinho pela música portuguesa, que havia espaço para o menos comum, tempo para respirar a música e senti-la de uma forma única.

Foi também o cenário de momentos marcantes da minha vida. A primeira vez que assumi a frente do palco. A ultima vez que pisei o palco enquanto membro dos Boémia. A derradeira conversa que nos separou. O primeiro espectáculo do novo projecto. Ali conheci muita gente e ali desenvolvi algumas das melhores amizades que tenho neste momento.

O mais estranho para mim é o momento em que tudo isto acontece. Foi um caminho que foi percorrido, muitas vezes com a casa vazia. Demorou a que o bar tivesse o seu próprio público, independentemente de quem lá tocava. Uma casa não se faz em poucos meses, principalmente com estas características. Mas quando finalmente as casas cheias se sucediam, se começavam a ver com regularidade caras novas, quando o trabalho parecia estar finalmente a dar frutos eis que tudo muda. É a vida.

Não posso terminar sem deixar uma palavra de forte apreço e amizade ao Vítor Sarmento. Foram mais de dois anos de colaboração com lealdade, respeito e compreensão. Do ponto de vista pessoal agradeço-lhe a confiança e o incentivo. Desejo-lhe toda a sorte nos seus próximos desafios, e espero que continuemos a partilhar palcos e projectos.

Pelo que sei o Ribeirarte vai continuar a sua actividade, embora desconheça em que moldes. Não faço ideia se voltarei a ser convidado para pisar aquele palco, mas será certamente num outro Ribeirarte, num outro Mercado da Ribeira. Porque não são as paredes que caracterizam os edifícios, mas as pessoas que os frequentam.

3 comentários:

zmsantos disse...

Tivemos horas de verdadeira magia no Ribeirarte.

Era como uma Praça onde se reuniam crianças a inventar e a sonhar com os seus herois, e foram muitos que por lá passaram: Sérgio Godinho, Fausto, José Afonso, Jorge Palma, J.M.Branco, Represas, Luis Pastor, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Tito Paris, Javan, Rui Veloso, Caetano, e tantos outros.

Todos sabiamos como começar. Penso que ninguem sabia como acabar.

Aos músicos, ao pessoal do bar e da organização, aos amigos que ganhei, a minha gratidão.

Uma vida qualquer disse...

Coincidência ou não, ontem olhava para a tua agenda e me perguntava quando voltariam a tocar na Ribeira. Como poderia não estar actualizada, fui visitar o site do Mercado e estranhei a falta de anúncio aos espectáculos de Junho, está explicada.
Lá teremos que rumar ao Estoril.
Besos

kitinha disse...

quando entrei para o Ribeirarte no dia 01 de Agosto de 2005 simplesmente nao valia a pena falarem me de musica portuguesa...
la aprendi a gostar..a conviver..a crescer..a gostar..
sai com tristeza de la, por ter deixado tanta coisa para tras, tantas noites que mesmo no inicio com meia duzia de clientes me faziam feliz..
vou guardar todos os que conheci no meu barzito ca dentro..um por um de maneira especial..