12 de outubro de 2005

Sexo

Isto hoje é que vai ser. Com este título as visitas deste blog vão bater recordes.

Sexo. Deve ser a palavra mais dita e escrita dos nossos dias e, no entanto, fala-se muito de mas pouco sobre. Ou seja, nem sabemos o que falamos nem falamos o que sabemos. Ou para ser ainda mais claro, apesar de falarmos constantemente de sexo, não dizemos um terço do que sabemos, nem um quarto do que fazemos, nem um quinto do que desejamos fazer.

Um estudo publicado há duas semanas pelo Centro Nacional para as estatísticas da Saúde norte-americano mostra bem que aquilo que se ouve na sociedade ocidental católica, machista e conservadora em que vivemos está longe de ser o que se passa dentro de portas.

“Os investigadores atravessaram os Estados Unidos, em 2002, inquirindo 12 571 americanos com idades entre os 15 e os 44 anos. O inquérito incluiu imensos não-adolescentes, claro, mas foram os jovens que forneceram as informações mais provocantes. Mais de metade deles, por exemplo, disseram ter praticado sexo oral (e as suas respostas são francamente credíveis já que as questões não foram colocadas face-a-face, por um entrevistador adulto, mas através de um programa de computador especial). A proporção foi mais ou menos a mesma entre rapazes e raparigas – e embora se assuma, normalmente, que são as raparigas quem mais “dá” e os rapazes quem mais “recebe”, os números demonstram que o “deve e haver” é semelhante.

Outra surpresa: cerca de 11% das raparigas entre os 15 e os 19 anos disseram ter tido pelo menos um encontro com uma pessoa do mesmo sexo, a mesma percentagem que foi encontrada entre mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 44 anos.
Todos estes factos são concretos - mas os factos precisam de contexto e de interpretação para serem significativos. Por enquanto, não é claro que as mulheres mais jovens estejam dispostas a ter encontros com pessoas do mesmo sexo, porque têm medo de engravidar, porque é moda ou porque os rapazes da sua idade são tão brutos (“Pelo menos outra rapariga não está sempre a tentar introduzir o seu pénis em ti”, declarou uma jovem, em reacção ao estudo). “Esse é o tipo de coisa que poderemos analisar em futuros inquéritos”, diz William Mosher, responsável pelo estudo agora realizado.
(…) Mas o que James Wagoner (da ONG Advocates for Youth) e outros podem assegurar é que o sexo oral comporta uma série de riscos, como os da sífilis, da gonorreia, do herpes e do vírus do papiloma que pode causar cancro cervical. “A partir do momento em que sabemos que os jovens andam a praticar sexo oral, temos de lhes fornecer informação sobre as suas consequências, em termos de saúde pública e sobre o modo de as evitar”, defende Rachel Jones, do Instituto Alan Guttmacher, em Nova Iorque. E isso pode acontecer desde já, sem ter de se esperar por nenhum outro estudo.”

O texto foi publicado na revista americana Time e traduzida pela portuguesa Visão.

Falando de saúde pública, em Portugal ainda nem se resolveu a questão do aborto…

5 comentários:

NP disse...

Como dizia o escritor brasileiro Nelson Rodrigues "Se todo o mundo conhecesse a vida sexual de todo o mundo, ninguém falava com ninguém..."!!!

Sandra Feliciano disse...

Excelente post e importante estudo de investigação. Este tipo de estudos são extremamente pertinentes para contrabalançar as consequências da hipocrisia que reina na maioria das sociedades mundiais.

Apenas uma correcção a uma frase transposta do artigo, a qual provalmente se ficou a dever a algum erro de tradução ou descontextualização:

O HPV (Human Papiloman Virus), ou Vírus do Papiloma Humano na sua versão em língua Portuguesa tem inúmeras estirpes (já foram identificadas mais de 100) e nem todas têm consequências malignas.

Há de facto algumas apontadas como a causa das lesões no colo do útero, que se não removidas em tempo útil, degeneram em cancro cervical (cancro do colo do útero). O HPV vive e propaga-se por contacto directo (pele com pele, mucosa com mucosa), pelo que a forma de transmissão passível de provocar cancro cervical é a de contacto da pele do orgão sexual masculino infectado com HPV com a mucosa do colo do útero, durante a prática de relações sexuais com penetração e não protegidas através do uso do preservativo.

A prática de sexo oral sem recurso a preservativo, poderá, quanto muito, provocar lesões na mucosa da boca e na garganta, as quais poderão, se não removidas em tempo útil, degenerar em cancro da boca e da garganta e não em cancro cervical, como refere o artigo.

Acho que vou escrever um artigo sobre HPV um destes dias para contribuir para a divulgação destas e doutras informações pertinentes sobre este vírus.

A Burra Nas Couves disse...

Falar da saúde sexual é sempre benvindo, mas falar sobre sexo, propriamente dito, e dum ponto de vista analítico e científico, é o mesmo que ensinar o grau de curvatura do pé, segundo a força de impacto em joules, que se deve dar a uma bola de determinado peso, tomando em consideração um vento de factor 5, a não-sei-quantos metros da baliza, para que um penalty seja sempre eficaz. Ou seja, não nada como practicar para aprender. (Imagina eu, a falar de futebol, ao que a coisa chega!). Aos "ensinamentos" americanos estou profundamente céptico e passo a bola ao primeiro toque, para que não lhes tenha ainda mais mania (e já é muita!), pois começo a não aguentar tanta parvoice junta. Não sei como ainda não houve nenhum estudante de psicologia que se tenha lembrado de apresentar como tese de doutoramento, uma análise global do povo americano. Triunfaria com um 20, após uma semana de exposição de tese.

Sandra Feliciano disse...

oh, Joãozinho... mas eu só estava a falar de saúde sexual mesmo...

alguma coisa no texto acima se te pareceu com uma dissertação sobre "como praticar um fellatio perfeito" ou qualquer coisa do género? LOL

Sandra Feliciano disse...

só para eliminar dúvidas: o risco que referi sobre sexo oral refere-se evidentemente à transmissão de HPV através de contacto entre os genitais infectados pelo virus HPV de um parceiro/a e a boca de outro/a.

Porque logicamente que as lesões provocadas por HPV que degenerem em neoplasias, tanto podem acontecer na mucosa do colo do útero como na bucal.

Agora não comecem para aí todos a dizer de forma descontextualizada que sexo oral provoca cancro da garganta ou da mucosa bucal!