14 de outubro de 2005

Ainda sobre sexo...

NOTA PRÉVIA: Ver comentários do texto anterior.

João,

Concordo contigo quando dizes que o conhecimento sobre o sexo vem sobretudo da práctica e pouco da teoria (Ah, e quanto a teres falado de futebol, não me parece que aquilo tenha muito a ver com futebol!).

Mas por outro lado, aquilo que vamos ouvindo sobre sexo ao longo do nosso crescimento tem pouco a ver com a realidade.O pudor e a vergonha de falar sobre sexo leva-nos muitas vezes, quando rodeados de outras pessoas, a caír em lugares comuns e balelas que pouco têm a ver com o que se passa na nossa intimidade. Eu acho que continuamos a saltar entre o oito e o oitenta. Numa conversa séria tentamos fazer passar a imagem mais cinzenta e púdica, causando o mínimo de polémica possível. E depois em meios mais descontraídos falamos de sexo como se fosse um constante filme pornográfico, onde quanto mais abandalhado fôr, melhor. Já para não falar dos eternos mitos do "dar três e quatro de seguida", do "fazer todos os dias, juro pela minha alminha", do "cinco horas sem saír de cima", do "orgasmo múltiplo", do "orgasmo simultâneo" e outras parvoíces que por aí abundam e que pouco têm a ver com a essência do sexo. Entretanto, temas como o sexo oral, o orgasmo feminino ou a masturbação continuam a ser temas embaraçantes, em que só dizemos o que pensamos depois de alguém ter dito qualquer coisa antes, e sem aprofundar muito a questão para não nos acharem depravados.

Eu, por exemplo, desconhecia completamente que se discutissem perigos para a saúde resultantes do sexo oral. E acho muito importante a correcção que a Sandra teve a amabilidade de fazer, sobre um assunto (o HPV) de que não se fala mas que tem afectado cada vez mais mulheres em Portugal (Sandra, venha de lá esse "post").

Concordo que se deva practicar mais e teorizar menos o acto sexual, mas também tem que se combater a quantidade de alarvidades que se dizem "à boca cheia" sobre este assunto.

PS: Este texto foi escrito entre cheques, telefonemas e facturas, pelo que talvez possa não ter a clareza que devia e merecia o assunto. Mas creio que o essencial da minha opinião ficou clara (e o raio da Banda Larga que nunca mais chega...).

8 comentários:

Sandra Feliciano disse...

Bem, tou a ver que tenho mesmo de fazer o post. achoque agora vou ate ter de fazer dois: um sobre HPV e outro sobre o mito de o sexo oral não ter perigos como outras formas de sexo...

Sandra Feliciano disse...

Já tá feito o post. ;o)

A Burra Nas Couves disse...

Tens toda a razão, rapaz. O que se passa é que eu não escapo à maioria da populaça que pensa que toda a gente pensa e age como eu. É que eu nunca fui de muitas vergonhas de falar ou admitir o que fosse, sobre sexo, ou outro assunto. No entanto, nunca descurando as precauções mínimas, acho que nos andamos a deixar-nos levar demasiado pela paranoia histérica dos americanos, acerca dos diversos perigos de tudo. Não pertenço ao grupo de pessoas que quando está doente se sente menos infeliz por saber porque está doente. Viver, mata! E cada dia que passa estamos um passo mais perto de morrer, e o meu consolo é que cada dia faço o possível para que quando chegue a minha hora, vá de papinho cheio. E podem ter a certeza de que vou, nem que essa hora fosse neste preciso momento. Obviamente que a informação é sempre preciosa, mas também é necessário saber relativisar as coisas, e aprender a viver com elas.

Sandra Feliciano disse...

João:

Pessoalmente, concordo ipsis verbis com a tua forma de estar na vida.

Apenas, na minha opinião, existe uma diferença abismal entre decidir conscientemente que riscos estamos dispostos a correr, ou correr riscos sem ter qualquer consciência deles, por ignorância e desinformação.

Dái ser uma fervorosa adepta da divulgação de informação pertinente sobre diversos assuntos. Depois, cabe a cada um, de acordo com a sua personalidade e com o estilo de vida que escolheu para si, decidir, em consciência, que precauções quer tomar e que riscos está disposto a correr.

É a diferença entre a escolha informada e a não escolha, percebes?

A Burra Nas Couves disse...

Percebo, e concordo plenamente. Revendo o meu post, faltou-me explicar essa parte, que tão gentilmente adicionaste. Tens toda a razão, e apoio 100%. Nunca pus em causa uma actuação responsável, que como dizes, e muito bem, é um sinal de respeito para com os outros, o qual eu prezo acima de tudo. Tiraste-me (e muito bem) as palavras da boca.
Um beijinho

Tio disse...

Há quem dê uma por dia,
Há quem dê duas ou três.
Há quem dê uma por semana,
Há quem dê uma por mês,
E há até quem não dê.
Para complicar a questão,
Aqui fica o berbicacho:
Quem dá fica por cima,
Quem recebe fica por baixo.
O que é?

Rogério Charraz disse...

Alguém que comente a adivinha. A mim só me dá vontade de rir, até porque conheço a peça...

Sandra Feliciano disse...

Rogério: Obrigada pelo teu comentário no post HPV no Cobre&Canela.

No entanto, a última frase do teu comentário parece-me que terá gralha, pois não lhe consigo apanhar o sentido (ou então é do adiantado da hora!). Queres passar por lá e se for caso disso, corrigir a gralha? É que o teu comentário é bastante importante em termos de sensibilização de quem o lê, pelo que gostaria que ele tivesse a maior clareza possível.

Um abraço amigo.