20 de agosto de 2010

Charraz

Ter um apelido fora do vulgar tem, como todas as coisas da vida (com excepção do cancro, da pedofilia e mais meia dúzia), aspectos positivos e negativos.

Entre as coisas boas, realço o facto de nos distinguirmos mais depressa do maralhal e de sermos dificilmente confundíveis. Se eu falar no David Silva, no Carlos Santos ou no José Costa, poderei estar a referir-me a milhares de portugueses, enquanto se procurar no Facebook por Fátima Zanguineto, sei que dificilmente encontrarei outra para além da minha prima. Ou que terei mais facilidades em encontrar o meu ex-colega de escola Sufiano Mussagy, do que qualquer outro.

Claro que existem lados lunares na questão. Em primeiro lugar, desde tenra idade que todos os que têm um apelido esquisito sabem soletrá-lo de trás para a frente e vice-versa. Se nos queremos identificar ao telefone, ou pedir uma factura, só soletrando é que nos fazemos entender. Mas creio que o aspecto mais negativo da questão é que passamos a vida a ouvir chamarem-nos nomes estranhos, sem nos podermos passar e dar uma valente canelada no infractor. No meu caso, também já perdi a conta à quantidade de vezes que ouvi a piadola do charro...

Basicamente, existem dois tipos de pessoas com apelidos estranhos: os que maldizem o universo por ter nascido em família com nome tão bizarro, e os que se orgulham do nome que ostentam no Bilhete de Identidade, caducado à conta do novo Cartão do Cidadão. Eu sou, claramente, um dos últimos....

E a que propósito vem este longo e maçador intróito?!

Saberão a seguir, se aínda tiverem paciência para ler o texto que copiei na íntegra do Açúcar Amarelo, da prima Zélia:

«O meu bom amigo José Francisco, investigador nato, enviou-me isto:
Charraz

A origem deste apelido segundo consta teve origem num oficial francês vindo a Portugal nas invasões napoleónicas. O apelido Charraz em Portugal teve com toda a certeza sua origem no Alentejo mais concretamente na região de Serpa.

Referência histórica:

Maria da Soledade Cardoso Charraz Sant'Anna (nascida em Setúbal) era filha de José António Charraz, negociante e de Maria Elisa Nunes Cardoso, doméstica. José António Charraz , nascido em 1860, era natural de Santa Maria de Serpa, sendo filho de Bento da Cruz Charraz, ganadeiro, e de Maria dos Remédios Chorão, doméstica que casaram em 1852. Era neto por parte paterna de João Mideiro Charraz, natural da Corte do Pinto , termo de Mértola e que segundo algumas fontes terá nascido no inicio do Séc. XIX, e de Maria da Cruz Velladas. João Mideiro Charraz devendo assim, ser filho do dito oficial francês já referido.

No entanto já no ano de 1728, é referido Francisco Marcos Xarraz, Familiar do Santo Ofício, quando este pediu autorização para se casar com Margarida Teresa Cordovil, natural de Setúbal, filha de Estêvão Afonso Cordovil e de Catarina Teresa Rouboa. O que pode de facto ter acontecido foi uma evolução da grafia “Xarraz” para “Charraz” e o apelido já existir no Séc. XVIII, aparecendo o primeiro Charraz com a actual grafia apenas no inicio do Séc. XIX.

Na França segundo alguns genealogistas não é encontrado o apelido Charraz, suspeita-se que este terá evoluído para “Charrat”.

Obrigada, Zé, em meu nome e em nome da minha família. Agora que já tenho vaidade no Charraz (orgulho já tinha, é o nome do meu avô), vê lá se descobres uma referência histórica para o nome 'Zélia', para ver se esse desgosto me passa.»

Eu também agradeço, Zé!

2 comentários:

Maria disse...

As 'invasões' nunca deram bom resultado... ficam sempre alguns frutos onde quer que tenham acontecido...

:)))

Beijoca

Patrícia disse...

O Orgulho no nome é tanto que também consta no nome dos meus pequeninos...

Beijinhos primito