10 de abril de 2007

A fronteira

A digressão foi muito produtiva, a vários níveis. A começar pelo aprofundamento de relações, o conhecimento mútuo, a descoberta de modos de reagir, temperamentos e sensibilidades.

Depois o crescimento. Por muito que se ensaie e se prepare, é no palco, frente a frente com as pessoas, que se aprende a dar a volta às situações, a gerir reportório e esforço físico, a decorar estruturas, a fazer soar as canções independentemente do ambiente e das condições técnicas. Foram duas noites de casa cheia, mas em que tivemos que "correr atrás do prejuízo" porque as pessoas não estão habituadas a reportórios maioritariamente de musica portuguesa e acústica, e porque muitas delas não estão lá para ouvir música mas para conviver com os amigos. Não creio que tenhamos sido avassaladores a ponto de ter conquistado toda a gente, mas senti que conseguimos agradar boa parte da assistência e deixar boa imagem, a ponto de haver alguns contactos para um futuro regresso.

Foi também a constatação que tudo se torna mais fácil quando se trabalha com gente boa, humilde e capaz. Falo mais concretamente dos nossos "road managers". Incansáveis a conduzir, a carregar, a montar, a desmontar, a planear, a cumprir, a tomar decisões, a apoiar, a encorajar, a sugerir, a conviver, a partilhar. Enfim, muitos mais verbos caberiam nesta lista porque em três dias intensos e desgastantes não consigo encontrar um ponto negativo, um reparo ou um lamento. Foi uma das grandes compensações para o desgaste físico...

Por fim, o que de mais importante retiro desta viagem é a quantidade de coisas que aprendi e que me vão ser extremamente úteis num futuro próximo. Sobre mim, sobre os outros, sobre a forma como me relaciono com os outros, sobre cedências e sobre exigências.
Sobre as fronteiras que separam a amizade do trabalho, a alegria do excesso, a frustração da provocação, o bom senso do contra-senso, o passado do presente, a permissão da invasão.

3 comentários:

Mukanda disse...

Encontro-me...
Onde me julgava perdida,
Encontro-me...
Onde muitos se perdem....
Perco-me onde tantos se encontram...
É neste jogo de encontros e desencontros
De ganhar ou perder
De perder ou ganhar
De procurar ou encontrar
Que acabo sempre por tentar "vingar"!
Procurando e encontrando...
Um fio de Esperança
Uma ponta de mudança
Uma Luz ao fundo do Túnel
Permitem-me, nunca deixar, de procurar

Beijo grande
Na minha, na tua, nas nossas procuras ao longo da minha, da tua, das nossas vidas

Andreia

Anónimo disse...

As mesmas palavras para ti,desculpa por tudo,e por tudo muito obrigado.

Uma vida qualquer disse...

As viagens são sempre educativas, por isso deviamos fazer mais!
Será teoria minha, como tantas outras, mas acho que nunca conhecemos realmente alguém até que não temos que conviver 24 horas por dia, vários deles; é que pode cheirar mal dos pes e só aí ficas a saber! (mais um regresso falhado e claro, voltei a aterrar de cabeça!)
Besos