17 de abril de 2007

Crónica de Vida

Posso cometer a audácia de vos dar um conselho?

Imprimam, levem para casa, e gastem cinco minutos do vosso precioso tempo a ler esta crónica. É a fusão perfeita entre os sentimentos do homem e o talento do escritor. Está publicada na revista Visão da semana passada, que lhe chama uma crónica corajosa. Mas é mais que isso, é o homem que se mostra na sua face mais transparente e humana. Uma celebração da Vida!





















9 comentários:

Mukanda disse...

Charrazito,
Eu já imprimi!
Darei noticias.
Beijo

Textículos disse...

Tal e qual sempre o foi como escritor. Notei uma coisa interessante no texto, o final: "A primavera mal começou e eles truca, ninho. Obrigado, Senhor, por haver futuro para alguém."

Parece um Haiku japonês. Três linhas apenas, ricas de significado, num instante, congeladas no tempo para refletir. A sua beleza está na simplicidade e na limitação. As palavras não descrevem apenas a cena, invocam emoções de alegria, compaixão e desespero.

Adorei.

Uma vida qualquer disse...

As minhas desculpas por adiantado, mas: “Imprimam, …” ?! imprimam não, primeiro porque a destruição da Amazónia não necessita publicidade (nem a da Arrábida, nem nenhuma outra), se por ela fosse a palavra marketing nunca teria aparecido nos dicionários, e segundo porque isto é um blog e os blogs lêem-se, não se imprimem - donde vamos a parar! E não existem fusões perfeitas, como perfeitamente se entende que nenhum talento resiste à falta de sentimento, nem deve sequer, na maioria dos casos, ter a sorte de ser descoberto (e quem rima sem querer é parvo sem saber). Quanto à Vida, tu chamas-lhe celebração, eu puta, mas que nada, porque siempre está jodiendo.
Obrigada pela recomendação - que esta semana não comprei a revista, porque começo a temer que qualquer dia pensem que o meu carro faz a distribuição das mesmas, tão pouco folheados estão os 3 exemplares que me acompanham no banco traseiro – porque é fantástico o texto, transmite-me um realismo invulgar, sem floreados nem lamentos, sem combate nem conformismo, sem luzes ao fundo do túnel nem aproveitem cada momento; “apenas” narra como vive um episódio da sua Vida, que certamente preferia não viver.
Besos
PS: Eu sei que parece, mas não, o teu nome não saiu hoje na rifa, por incrível, depois disto, que possa pareça.

Rogério Charraz disse...

Caro "Dedicado desregrado",

A mim o que mais me cativou neste texto é que ele revela uma faceta que o autor nunca tinha mostrado. Li um ou dois livros dele e leio regularmente as suas crónicas e a imagem que costuma passar é de alguém que não se leva a sério, que relativiza a vida e as suas cores e no entanto agarra-se a ela com unhas e dentes. Porque sem ela, de facto, nada faz sentido...

Niña,

Começas e acabas a desculpar-te, quando não precisas de o fazer. Aqui tens carta branca para escrever o que te der na telha!
Que me perdoem a Amazónia e a Arrábida mas eu continuo a achar que há texto que merecem ser lidos em papel. Porque no papel as coisas ganham outro peso, outra dimensão, outra sensibilidade. Sou apologista das novas tecnologias mas como complemento de livros, discos e outros formatos, não como substituição.
Concordo que nenhum talento resiste à falta de sentimento, mas por vezes a consciência filtra os que passam para a escrita, e alguns ficam retidos na vergonha e no orgulho. Não quis dizer que a escrita de Lobo Antunes é desprovida de sentimentos, até porque gosto muito de o ler, mas creio que este texto revela algo que só se mostra quando estamos debilitados, logo mais acessíveis e menos defensivos. Conseguiu expôr sentimentos sem apelar ao sentimentalismo, e isso não está ao alcance de todos!
Quanto ao facto da Vida estar "siempre jodendo", só prova que merece ser celebrada...

Dionisio Leitão disse...

Eu, fervoroso adepto do Lobo Antunes, confesso que fiquei espantado (até porque não sabia ainda da doença) quando li a Visão com o estilo tão diferente do habitual. Não melhor nem pior, diferente. Ali está tudo o que alguém pode dizer quando confrontado com uma situação daquelas. Por um lado ficou-me a admiração pelo estilo por outro a emoção provocada pelo que ali transmitiu. Como dizes e bem a "face mais transparente e humana" do Lobo Antunes. Que bem que fizeste em editar este post.

Grande abraço
Dionisio Leitão

Mukanda disse...

Eu tenho andado numa ázafama tão grande, que ainda não consegui ler nada.
Mas a curiosidade é cada vez mais evidente.
Até porque tb gosto muito de ler as crónicas do António Lobo Antunes...e há imenso tempo que não leio nada dele.
Cá para nós que ninguém nos ouve: Confesso que estava mal habituada....o ritual de comprar a visão todas as semana era teu!!!
Cada um com as suas tarefas :)
Assim que ler, deixarei aqui o meu comentário.
Beijos.

Rogério Charraz disse...

Nota-se que a azáfama tem sido grande, ainda nem inauguraste o "empurrão"... :P

Mukanda disse...

Charrazito,

Gostei do pormenor discreto na correcção, do acento, na palavra azáfama :)
Tens toda a razão....lê-se completamente diferente se for ázafama...e está mal!
Beso para ti.

Textículos disse...

Concordo com o teu comentário. Dei relevo ao final porque me pareceu condensar o texto.

O Lobo Antunes quase nunca falou dele próprio, deu sempre primazia à obra. Sempre o achei um grande relativizador da sua pessoa. Se calhar foi a sua infância, a guerra, não faço ideia.

Que tudo lhe corra bem. Se calhar pode ai vir um novo Lobo Antunes.