2 de janeiro de 2007

O Engenheiro na 1ª pessoa

Muito curiosa a entrevista que "A Bola" publica na sua edição de hoje ao cidadão Fernando Santos, actual treinador do Glorioso. Aqui fica um pequeno excerto:

" Nunca escondi que o meu pai sempre foi a grande referência da minha vida. Ele adorava futebol e era grande entusiasta da minha carreira mas, infelizmente, faleceu antes de eu ter ido treinar o FC Porto e nunca teve a alegria de me ver à frente de uma grande equipa. Eu perguntava-me muitas vezes qual seria a reacção dele por eu treinar um clube importante e dei comigo, amiúde, a pensar que gostaria de ter um sinal que me indicasse o seu sentimento, estivesse o meu pai onde estivesse. Bom, fui para o FC Porto e fui campeão logo no primeiro ano. Nessa altura ainda fiquei mais curioso para saber qual seria a alegria do meu pai. No dia a seguir à conquista do título, ia eu, já ao fim da tarde, a caminho da igreja onde ia assistir à eucaristia, algo que fazia com regularidade, porque a fé tem de ser alimentada. Assim, normalmente, por volta das seis e tal, ia à igreja ouvir a palavra, comportamento que ainda hoje mantenho, sempre que as obrigações profissionais mo permitem. Retomando a história, vinha a pensar como seria bom ter um sinal da alegria do meu pai e, quando cheguei à porta da igreja das Antas, estava um rapaz, o Rui Preto, que parava sempre por ali, com quem eu falava às vezes e que me aparece ainda hoje sempre que vou ao Porto. Era uma pessoa que ia tentando ajudar, umas vezes com conversa, no sentido de o fazer mudar a vida que levava, outras com outras coisas, uns cigarritos, enfim, aquilo que é normal. Naquele dia, quando cheguei à porta da igreja, ele estava lá e tinha um embrulho debaixo do braço e disse-me 'senhor engenheiro, vou dar-lhe uma prenda'. Respondi-lhe 'tu és parvo, agora vais estar a incomodar-te a dar-me uma prenda, isso não tem jeito algum'. Ele insistiu, eu aceitei e confesso que fiquei satisfeito por uma pessoa humilde e com problemas como o Rui Preto ter decidido dar-me uma prenda. Entrei na igreja e, curioso, fui ver o que é era. E então, o que é que aconteceu? O meu pai, no dia em que fiz o exame da quarta classe, há já 44 anos, deu-me um conjunto de caneta de tinta permanente e esferográfica Parker, com o cabo em aço inoxidável e o meu nome, Fernando Santos, gravado. Acontece que eu perdi a esferográfica, uma dúzia de anos antes, nunca mais a vi e só tinha a caneta de tinta permanente lá em casa. E o que é que o Rui Preto me deu? Uma esferográfica Parker, igualzinha à que perdi, com o meu nome gravado, que está agora junta à caneta de tinta permanente. Recebi naquele instante a resposta que sempre pedi relativamente ao que o meu pai sentia pelo meu sucesso na carreira. É claro que cada um é livre de interpretar como quiser, mas não tenho dúvidas de que foi o sinal que procurava."

1 comentário:

Andreia disse...

Sem dúvida que cada um interpretará como bem entender e sentir....mas se fosse comigo, tenho a certeza que o entenderia/senteria como o sr. Fernando Santos, treinador actual do nosso Glorioso!
Muitas vezes andamos há procura de um sinal, de uma luz, ao fundo do Túnel......e ele/ela está mesmo diante de nós.

Bjo
Andreia Charraz