16 de outubro de 2006

Herman José

Muito interessante esta entrevista de Herman José ao DN. Aqui deixo alguns excertos:

Porque é que acha que o formato Herman SIC se esgotou?
Acho que o País, infelizmente, é pequeno de mais para eternizar um formato de talk show. Se tivesse a felicidade de viver em Espanha, com um mercado infinitamente maior, acho que não se esgotaria.

Tem pena?
Tenho a maior pena, apesar de saber que chegou a hora de ir a exame e fazer um bom programa de humor, que não faço desde o Herman Enciclopédia. Mas sinto-me bem a fazer de mestre-de-cerimónias e tenho qualidades que pouca gente tem. Permite-me ser um epicentro de acontecimentos, que seria muito interessante se o País não vivesse nesta monocultura. Há pessoas que já estou a receber pela décima vez... Numa lógica de divulgação cultural, um programa destes tem sempre cabimento na televisão estatal, porque aí não se pode ter o pânico das audiências.

(...)

É difícil ser sempre o melhor?
Em termos de humorísticos técnicos, acho que estou longe de ser atingido como actor e como humorista. E mesmo os que existem, e são bons, são produtos que nasceram colados a mim, que com muito orgulho vejo terem sucesso, como os Gato Fedorento. Os últimos tempos desgastaram-me muito como marca e fui envolvido em demasiadas polémicas que não têm a ver com a coisa artística. Bom é ter polémicas como tive com a Última Ceia ou com a suspensão do Humor de Perdição.

(...)

Considera-se um objecto de luxo muito cobiçado?
Não, mas considero-me um bom bife do lombo e não um hambúrguer. Bem cozinhado, tem categoria. Quando é transformado em hambúrguer, fica igual aos outros.

Como é que se evita?
Não o dominamos. O convite para fazer o Hora H é fazer bifes do lombo. O Herman SIC às vezes é hambúrguer. Agora é injusto que, por isso acontecer, haja o esquecimento de que a carne é do lombo e que sou responsável por muitos bifes, servidos ao longo de 30 anos.

Apesar da travessia do deserto que tem sido este "Herman SIC", será sempre uma das referências da minha adolescência. Sou um admirador confesso do seu humor e por vezes dou por mim a contar a quantidade de expressões que utilizo no meu dia-a-dia que remetem ao universo dos seus programas que devorei como um viciado.

Apesar disso tenho que discordar veementemente quando diz que o Herman Sic se esgotou porque já não tem gente interessante para entrevistar. Há muitos nomes que nunca tiveram a sua oportunidade e que foram sempre relegados para a penúmbra pelos "repetentes", muitos deles indignos de tempo de antena em horário nobre!

Mas algures no meio da entrevista também admite que a preguiça o impediu de ir mais longe. Não sei se chegaria ao sucesso noutro país mas podia ter feito mais por este. Esperemos que seja esta a Hora H!

3 comentários:

Barras disse...

Também sou um hermanólico!!!
No entanto, acho que o formato do Herman SIC se esgotou porque o Herman é um excelente humorista, mas um péssimo entrevistador!!!

Eurídice disse...

Eu também cresci com o Herman, mas confesso que fiquei esgotada e isto só pode ser justificado pelo facto do próprio Herman se ter esgotado. Concordo que é um excelente humorista e um péssimo entrevistador. O egocentrismo e certa soberba não lhe permitem oferecer um pouco de protagonismo ao entrevistado. Por outro lado acho que explorou até ao limite certas figuras que, por ausência de auto-crítica, se deixaram explorar. Porém cabia ao "Bife do Lombo" assumir a crítica que falta aos outros (por pura incapacidade) e por um ponto final à preversão que é ridicularizar o ser humano. Aí fiquei cansada de vez e deixei de ter respeito pelo Herman. Aí sim, transformou-se num hamburguer.

Ana disse...

Quando li «Mas sinto-me bem a fazer de mestre-de-cerimónias e tenho qualidades que pouca gente tem. Permite-me ser um epicentro de acontecimentos, que seria muito interessante se o País não vivesse nesta monocultura. Há pessoas que já estou a receber pela décima vez... Numa lógica de divulgação cultural, um programa destes tem sempre cabimento na televisão estatal, porque aí não se pode ter o pânico das audiências.» lembrei-me de repente dos vários programas em que tivémos (quem ficou a ver, porque eu mudei o canal e não voltei a ver o programa inteiro, nunca mais) de aturar personagens como uma certa medium stripper cujo nome não lembro, mas que tinha como alter-ego a «pomba-gira», ou o bruxo que se passeava pelo palco pondo as pessoas «hirtas como uma barra de ferro» e outros afins... à primeira, tiveram a piada da novidade e da audácia de os elevar ao estatuto de entrevistados num talk-show, mas a partir daí, essa «receita fácil para as audiências populares» perdeu todo o sentido... e o Herman usou e abusou dela!