14 de setembro de 2006

Em nome de...?

A minha primeira reacção foi de orgulho e espanto.
- Mas eu não sou baptizado?
O facto da madrinha o ser, fez com que a Santa Igreja fechasse os olhos e me deixasse assumir o papel de padrinho de baptismo do meu sobrinho primogénito.

E assim lá fui eu à reunião preparatória, tentar perceber o significado do ritual. Não sei se o resto dos pais e futuros padrinhos eram católicos convictos e conhecedores da matéria, mas eu não era nem uma coisa nem outra.

De tudo o que ouvi, retive que o baptismo é um ritual de iniciação. Os pais comprometem-se a educar a criança segundo os princípios católicos, os padrinhos a auxiliar na educação moral e religiosa e a criança, mesmo não percebendo a razão pela qual um senhor todo vestido branco lhe derrama água na cabeça para depois (ou antes, já não me lembro) lhe besuntar a testa com um líquido viscoso sem que os pais façam o mínimo gesto para o impedir, assume o compromisso de ser católico mesmo antes de saber pronunciar o seu nome.

Foi bonita a festa, e tirando um pequeno acidente técnico com o fotógrafo que fez com que o pequeno tivesse que se vestir a preceito no fim-de-semana seguinte para repetir as fotos de casa, toda a gente foi para casa satisfeita. Tudo vestido a preceito, a igreja bem decorada, muitos presentes para o menino (o meu deve ter sido o mais original, um equipamento do Benfica para a idade dele, com o nome PAULINHO estampado nas costas!), comida e bebida com fartura, e uma oportunidade para juntar as famílias em animado convívio.

Agora reparem. O meu irmão é quase tão católico como eu e não me parece que a minha cunhada seja um exemplo de vida guiada pelos princípios da igreja. Da minha parte o meu sobrinho pouco pode esperar no que à educação católica diz respeito. Aliás, na verdade ele pouco espera de mim porque, curiosamente, de todos os meus sobrinhos é o que menos me liga e chega a fazer questão de mostrar uma certa embirração, motivada pelo facto de ser dos poucos que não acha piada ao facto do menino querer fazer tudo o que quer e ser alérgico à palavra NÃO! Passados alguns anos tenho mesmo dificuldade de enquadrar a educação dele num espiríto católico-apostólico-romano.
Embora nunca tenha falado com o meu irmão sobre este assunto, estou muito convicto que a razão que os motivou a baptizar o filho pouco ou nada teve a ver com fé, religião ou educação. No fundo é uma tradição, uma festa bonita e um dia diferente. Se eles são baptizados porque é que os filhos não hão de ser? Se a grande maioria dos portugueses são baptizados porque é que o filho havia de ser diferente?
O mais engraçado disto tudo é que, apesar de não ser católico, demonstro mais respeito pela instituição ao me recusar a cumprir determinados rituais por não me rever no seu significado, do que aqueles que o fazem por tradição, por visibilidade social ou outra qualquer razão que não seja a crença no simbolismo e na fé.
Domingo sou convidado de mais um baptizado. Por tudo o que explanei não me agrada a ideia de participar numa celebração que terá pouco significado para grande parte dos participantes. Por amizade, laços familiares, solidariedade conjugal e pelo convívio estarei presente. Acho sinceramente que quem perde mais nisto tudo é a intituição Igreja Católica, mas todos nós perdemos um pouco por vivermos numa realidade faz-de-conta, onde os papéis sociais muitas vezes se sobrepõem às convicções individuais ou, pior ainda, há falta delas.

15 comentários:

zmsantos disse...

Só para ganhar uma camisola do GLORIOSO até eu me deixava baptizar outra vêz...

Ana disse...

Cruzes!!!!
Realmente, começando por receber um presente desses no baptizado... não há religião que valha à criança!
Parece-me que tal atitude (que só pode ser comparável às torturas infligidas pela Santa Inquisição, é um facto e talvez daí a ligação à Igreja Católica Apostólica Romana) deveria ser alvo de denúncia à Comissão de Menores Competente... é que as crianças ficam com traumas para a vida!!!!
E depois, queixem-se que são adolescentes problemáticos, adultos dependentes de psicofármacos, etc....
:-)

Rogério Charraz disse...

Fica aqui comprovado que o futebol é a religião dos portugueses (ou da civilização ocidental). Escrevo um texto com algumas 200 linhas sobre religião e os unicos comentários incidem sobre meia linha em que fiz referência à bola...

Ana, quando fizeres a queixa à Comissão de Menores Competentes não te esqueças de referir as horas semanais que os teus filhos passam a ver os "Morangos para Diabéticos Suicidas", enquanto a Mãe exercita o seu mau-gosto futebolístico...

Uma vida qualquer disse...

Como apesar de tudo, a minha nacionalidade é discutivel...
A Igreja católica perde porque está obsoleta, mas num período em que está de moda falar da crise de valores, suponho que é natural que assim continue, mas não seja para que entendamos que entre o branco e o preto, existe a tal gradação de cinzentos.
Talvez porque, mesmo não devendo, tenho uma visão muito própria do que é a Igreja Católica e bastante ignorância em algumas matérias, sempre me afirmei, e suponho afirmarei, católica.
Sem dúvida que na maioria dos casos, os casamentos e baptizados são meros rituais que perderam há muito o significado institucional, mas talvez na sua essência sejam dos actos mais católicos que as pessoas têm, partilhando a sua felicidade.
Quanto ao teu afilhado, suponho que no mesmo dia “ganhou” dois compromissos, o de ser católico e benfiquista.

Barras disse...

desta vez estou de acordo com "uma vida qualquer"!!!
Tirando a "nacionalidade discutivel" posso assinar por baixo todo o comentario!!!

Rogério Charraz disse...

Pois é, meus caros, a vossa opinião só vem confirmar tudo o que disse. Os casamentos e baptizados hoje em dia são apenas e só festas sociais, pretextos para as pessoas se encontrarem e partilharem a sua felicidade, como disseste, Sandrina, e muito bem. Mas isso nada tem de católico, porque as pessoas podem casar sem ser pela igreja! E podem celebrar o nascimento dos filhos sem haver celebração religiosa!
Não sou contra casamentos nem baptizados, mas contra a "instrumentalização" da igreja e dos rituais religiosos que, na minha opinião, merecem mais respeito. E se quisermos um termo de comparação basta olhar para o islamismo. Aí sim, as pessoas levam uma vida de acordo com a fé que professam, e quando passam por um ritual fazem-no muito conscientemente. A nós, ocidentais, faz-nos muita confusão o ramadão, por exemplo, mas os islâmicos sabem que é uma das etapas da sua fé, e para eles não o fazer não faz sentido, enquanto para grande parte dos católicos não ir à missa, não se confessar, não fazer jejum, etc. é algo normal. Afinal de contas para ser católico basta afirmá-lo publicamente.
E não é verdade. Na minha opinião pode-se ser cristão sem ser católico, pode-se ter fé sem se ter religião, pode-se acreditar em Deus sem se professar nenhuma religião, mas não se pode ser católico sem se cumprir grande parte dos rituais que lhe estão associados e sem se viver segundo a doutrina. Para mim não existem católicos não practicantes.
É por isso que as igrejas cristãs não-católicas (que toda a gente mete no saco das seitas, mas como em tudo, existe o trigo e o joio) têm ganho tantos "adeptos" nos ultimos anos enquanto a igreja católica vai definhando. Porque não existem protestantes não practicantes ou testemunhas de Jeová não practicantes ou outra coisa qualquer. Quem está associado a estas igrejas vive intensamente essa realidade. De uma vez por todas as pessoas têm que entender que a religião não é uma instituição ou uma filiação clubística mas um modo de vida.

Uma vida qualquer disse...

Charraz, porquê não há nada de católico em partilhar a felicidade?! Terei eu uma ideia muito errada da religião católica, mas para mim é nisso que assenta, em fazer os outros felizes, partilhando.
Eu não preciso de ir à missa de domingo na Igreja para estar com Deus, nem ter por interlocutor um Padre para lhe confessar os meus pecados e admitir o meu arrependimento - até porque me limitaria o que eu mais gosto de confessar a Deus, o meu agradecimento - nem reservar uma hora durante a semana para rezar, e muito menos, de publicitar as minhas convicções religiosas.
Compreendo o que queres dizer, mas acho que nos voltamos a esquecer do cinzento.

Uma vida qualquer disse...

E outra coisa - e já me calo - claro que não há catolicos não praticantes, como não há futbolistas não praticantes - como me esclareceu, já lá vão os anos, o Padre que dava missa de tenis.
E concordo plenamente contigo quando dizes que "a religião não é uma instituição ou uma filiação clubística mas um modo de vida", mas não te esqueças que nem sempre quem vai à missa ao domingo ou faz o ramadão, é o que vive segundo a sua religião (até rimei!)
E vou trabalhar, que já abusei na hora de almoço!

Ana disse...

Bom, em 1º lugar e em resposta à questão dos «Morangos», deixa-me que te diga que, com todos os defeitos (e são muitos) da novela, a «geração Morangos» tem muitas qualidades, algumas das quais provêm, precisamente, da dita novela e afins. Refiro-me, por exemplo, à tolerância, ao facto de conhecerem com toda a naturalidade, sem estigmas, realidades que nos eram escondidas na idade deles. Não vejo que venha a ser usual, na geração dos meus filhos, a homofobia que ainda existe na minha e, mais ainda, na dos meus pais. Portanto, nem tudo é mau (apesar de haver muitos defeitos nesta novela que quase rege a vida das criancinhas abaixo dos 15 anos).
Quanto à questão da Igreja Católica, devo dizer-te que a tua frase «não existem católicos não-praticantes», ouvi-a eu ao padtre que mais admiro, porque o conheci jovem, cheio de energia e de vontade de viver e senhor de uma fé e dedicação muito pouco usuais nos jovens dos dias que correm.
Só que ele usava essa frase para expressar algo muito diferente do que tu defendes: dizia ele que não é o facto de ir à missa, de se confessar e comungar que torna o Homem católico, pelo que, "a contrario", também não é a falta de cumprimento desses rituais que o torna não-católico, ou católico não-praticante. É, sim, a forma como vive, na sua vida, os princípios primordiais da Fé (que, ao contrário do que muitos julgam, não se prendem com o uso ou não de contraceptivos e afins), como se vive respeitando o Outro, porque é igual a nós em dignidade, porque é, como nós, filho do Deus que acreditamos existir.
Quanto ao enorme sucesso das seitas, desculpa que te diga, mas a proliferação das novas seitas (e aí, no meu entender, não entram algumas das «dinossáuricas», como, por exemplo, as testemunhas de Jeová, quando comparadas com IURD e afins) não estou, de todo, de acordo contigo.
Acho que se deve, essencialmente, à crise, por obsoletismo em muito do que diz, que vive a Igreja Católica e à exploração, por parte de sacerdotes muito inteligentes, das fraquezas do ser humano actual, dizendo-lhe exactamente aquilo que ele quer ouvir. Se eu sei que, faça o que fizer na minha vida, vou a uma celebração, contribuo para a «Igreja» com uma (boa) parte do meu pecúlio e, com isso, «limpo» os meus pecados e ganho a eternidade... que melhor pode haver???
É óbvio que estou a simplificar e a caricaturizar a questão, mas acho que é por esse caminho que as seitas vencem e crescem... e tornam alguns senhores muito ricos.
Os «pecados» da Igreja Católica não resultam da religião, mas dos homens que a ministram... e não são exclusivos da Igreja Católica: http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=721345
Quanto ao futebol, devolvo-te o cumprimento, porque, como hás-de compreender, és tu quem tem um péssimo gosto futebolístico! Argh!

Ana disse...

...e gosto de ver que também "uma vida qualquer" relembra a frase dita por esse padre que marcou, de uma ou outra forma, a nossa adolescência! Verdad, niña?

Rogério Charraz disse...

Bom, Ana, a ver se consigo dizer tudo o que quero em cinco minutos. Creio que tanto tu como o padre que referes misturaram dois conceitos que para mim são diferente: cristianismo e catolicismo. Como disse pode-se ser cristão sem ser católico embora não se possa ser o contrário. Quem "vive respeitando o Outro, porque é igual a nós em dignidade, porque é, como nós, filho do Deus que acreditamos existir." é cristão, porque segue os princípios que regeram a vida e obra de Jesus Cristo. Ao contrário do que dizes, se usas contraceptivo ou não acreditas em santos ou achas que a mulher tem exactamente o mesmo direito que o homem de aceder ao sacerdócio ou não és católica ou és uma católica reformista, e a história é clara na forma como a igreja encara quem estando dentro da instituição defende ideias diferentes: há uns séculos usava a fogueira, hoje utiliza a exclusão.
Quanto às igrejas não católicas vou-me guardar para quando tiver mais tempo. Tentei falar delas sem emitir juizos de valor porque misturei uma quantidade de instituições diferentes, embora para a maior parte da opinião pública todas elas caibam no mesmo saco - seitas. Tal como tu, o dízimo é algo que choca muita gente. Mas sabes uma coisa, a localidade onde vivo tem uma igreja católica imponente. Edifício recente, equipado com um ginásio, um auditório, muitas salas e outras coisas que não conheço bem porque não frequento. Sabes como foi construída? Com dinheiro dos fiéis que, por exemplo, vão derreter o pouco ouro que têm a Fátima, e com dinheiro do Estado. Ou seja, também com o meu dinheiro e de muitos outros que não professam a mesma crença. Todas as igrejas não católicas que conheço em Rio de Mouro têm salas alugadas e pagam rendas. O que te parece mais justo? E a notícia não me parece um bom argumento. Sabes porquê? Infelizmente agora não tenho tempo para pesquisar, mas li há uns anos na Visão que nos Estados Unidos da América foram descobertos vários casos de pedofilia exercida por padres, e, muito pior, descobriu-se que durante muitos anos a intituição igreja católica pagou a muitas das famílias para que não denunciassem o caso à polícia e à opinião pública. Maus exemplos existem em todas as religiões e em todas as intituições em que existam seres humanos. Não devíamos ir por aí...
Não tenho tempo para mais. Os morangos foi um "fait-divers", não tenho conhecimento para falar nem a favor nem contra. O glorioso é a minha religião e o único assunto na vida em que assumo o meu dogmatismo - é assim e mais nada!

Barras disse...

A igreja de Rio de Mouro nem pintada está...lol...por isso não nos podemos queixar =P
Bem, mas se queres olhar para as coisas dessa maneira também tens que ter em conta o facto de o ginásio não ser exclusivo para católicos, mas sim o mais próximo de um ginásio municipal que podes encontrar do lado debaixo da estação, de o infantário também não ser exclusivo para católicos e pela quantidade de gente que costumo ver quando passo lá por perto, tem sido bem útil para as pessoas de rio de mouro, o facto de a maioria da população que aqui reside ser católica (praticante ou não praticante) também é um factor importante pois passam por lá casamentos, baptizados e funerais que precisam que a igreja tenha um pouco de mais espaço do que uma sala alugada num prédio qualquer (mais à frente já volto a reforçar este argumento) e "at last but not least", o facto de cada igreja ajudar os pobres e os mais necessitados da sua paroquia, organizando grupos dos seus fiéis para tentar fazer recolhas de alimentos e distribuições dos mesmos e gastando parte do dinheiro da esmola que se dá na missa em coisas que alguns precisam mais do que nós. Por isso sinceramente acho que o teu dinheiro não está a ser assim tão mal gasto...
Depois também tens a historia da democracia...se votares no PCP ou no BE, acredito que estás a mostrar a tua indignação contra o facto de o estado "alimentar" as igrejas, pois nos ideais de extrema-esquerda isso é visto como um erro, mas enquanto houver uma maioria que concorde com o dinheiro gasto para esse fim, vais ter que continuar a ver dinheiro dos teus impostos ir por esses caminhos...

Já agora, se és contra esse desperdício de dinheiro, também vais concordar que eu seja contra o desperdício de dinheiro que houve aquando da construção dos estádios de futebol e especialmente de em Lisboa encontrares dois estádios quase frente a frente que custam quase tanto como todas as igrejas do país, não!? Que eu saiba o estado também gastou dinheiro com eles...

Barras disse...

btw: eu acho que se podem definir os Católicos não praticantes da mesma forma que se definem os adeptos e os simpatizantes do benfica...
Eu acredito que a religião está em cada um de nós, e cabe a cada qual ter os seus princípios, valores e crenças, mas seria um pouco chato se por cada visão diferente do cristianismo se funda-se um tipo de igreja diferente, como tal sou da opinião que os não praticantes não concordam em absoluto com a igreja católica, mas as suas crenças aproximam-se mais desta "vertente" do que de outras e desta forma "apoiam" o catolicismo!!!
Eu por exemplo não sou assíduo no que diz respeito a ir a missas todos os domingos, e não concordo com certos dogmas e certas praticas religiosas que existem dentro da comunidade católica, mas no entanto, de vez em quando gosto de ir à missa ou à igreja rezar um pouco...nem que seja só para reflectir sobre mim, sobre o que se passa à minha volta, sobre os meus medos, sobre os meus desejos...por causa disto serei totalmente não católico, ou estarei no tal "cinzento" que "uma vida qualquer" referiu!?!?

Ana disse...

Quanto ao exemplo que dei, da notícia que criticas, Charraz, dei-o precisamente por comparação com o que se passou nos EUA (e não só) e no seio da Igreja Católica e precisamente para te dizer que não é o Catolicismo que comete os pecados, mas os homens que constituem a instituição Igreja Católica, tal como homens em muitos outros sectores da vida (nomeadamente outras religiões/seitas) cometem os mesmos pecados.
Quanto aos princípios basilares da Fé e do Catolicismo, acho que estás muito enganado.
Sem grandes explanações da razão para tal, digo apenas que os princípios basilares da Fé estão na oração que se reza em todas as missas e, com maior solenidade, nos Sacramentos do Baptismo, geralmente, pelos padrinhos e pais (deves tê-la ouvido e professado quando foste padrinho) e do Crisma, aí já pela própria pessoa.
Esta oração diz, somente:
Creio em um só Deus
Pai todo-poderoso,
criador do céu e da terra
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigénito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos;
Deus de Deus,
Luz da Luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro;
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa
salvação, desceu dos céus
e se encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob
Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia,
conforme as Escrituras,
e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir, em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho
é adorado e glorificado:
Ele falou pelos profetas.
Creio na Igreja,
una, santa, católica e apostólica.
Professo um só baptismo
para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos
e vida do mundo que há de vir.
Amen
Diz-me, nesta oração que encerra os princípios do catolicismo, onde encontras a questão da contracepção ou dos sacerdotes serem homens ou mulheres.
Não, porque, tal como o uso da burkha não resulta do Corão, também a proibição do uso de contraceptivos, ou a questão das mulheres sacerdotizas não resulta da Bíblia, nem dos princípios do catolicismo.
São, sim, interpretações feitas pelos homens que constituem a Igreja, numa determinado momento histórico e durante um determinado período.
Quanto às Igrejas com ginásios e afins, subscrevo inteiramente o que disse o barras e apenas acrescento isto: sou contra a opulência que se vive em determinados meios relacionados com a Igreja Católica, "maxime" no próprio Vaticano.
Mas, ainda assim, o espírito de Missão desta Instituição, a ajuda, através do ensino, da alimentação, da ocupação de crianças e jovens, da mediação em situações de conflito, quer em zonas carenciadas de países «do primeiro mundo», quer em países subdesenvolvidos, é incomparável e muito anterior à solidariedade actualmente subscrita por inúmeras ONG's! E para isso contribuem, não só o espírito de sacrifício dos missionários, mas também as verbas disponibilizadas pela Igreja.
A César o que é de César....

Rogério Charraz disse...

Caro André, nada tenho contra o ginásio, nem contra a cresce e bem sei que é para todos (era o que mais faltava que não fosse!). O que está aqui em questão é somos um estado laico, o que significa que, enquanto nação, não temos religião, não privilegiamos nenhuma religião, e cada cidadão é livre de escolher o seu credo. Logo, não temos que dar mais dinheiro a nenhuma religião, só porque tem mais fiéis (supostamente). Seria o mesmo que o estado ajudar mais o Benfica que os outros clubes pq tem mais sócios (facto mais que conmprovado!), ou dar mais apoio ao BCP por ser o banco com mais clientes. Sejqam clubes, bancos, igrejas ou outra coisa qualquer, o estado não deve fazer distinções. Apenas se deve limitar a apoiar instituições que contribuem com a sua actividade para o bem estar dos mais necessitados, e se pensas que a igreja católica é a única confissão religiosa que ajuda os mais necessitados, as crinças, os idosos, etc. está muito enganado. Apenas tem mais visibilidade e... muito mais apoio do estado!
A comparação ao futebol também é simplista e falaciosa. Concordo que se fizeram estádios a mais (Lisboa, por exemplo, só precisava de um!) e que se geriu com demasidado despesismo e pouco contenção. Mas o estado não construíu estádios aos clubes. Participou num investimento no qual teve dividendos económicos (basta veres os resultados económicos do trimestre do Euro2004) e publicitário, uma vez que teve os olhos do mundo virados para este cantinho durante um mês. Quantas vezes isso aconteceu nos últimos anos? Portanto, não são situações comparáveis.
Ana, quantos dos que se dizem católicos conhecem essa oração? Alguma vez pensaram no que ela significa? Alguma vez pensaram o que é o catolicismo e o que significa nas suas vidas? A minha questão é esta, e não a coloco para questionar a igreja católica, sobre isso podemos falar mas com mais tempo, mas para questionar a razão porque muita gente continua a celebrar rituais católicos quando não os sentem e na maioria das vezes não sabem o que significa. Quantos pais sabem que o baptizado significa o nascimento da criança para Deus? Quantos lhes transmitem os valores católicos durante a educação? A realidade é que vivemos em grande hipocrisia e ninguém parece muito preocupado com isso.
É reconhecido por todos o trabalho social e humana da igreja. Eu próprio tive oportunidade de o testemunhar, por exemplo, em aldeias do interior. Como conheço o trabalho notável de alguns Centros de Recuperação de Toxicodependentes ligados a igrejas evangélicas. Como conheço missões em África, apoiados por estar instituições. Mas a única coisa que as pessoas conhecem de igrejas ditas "protestantes" é o dízimo que os seus fiéis pagam de livre vontade (gostaria que me explicasses qual a diferença entre este dízimo e o ouro que é derretido diariamente em Fátima, ou o dinheiro que é angariado na "caixa das esmolas" como lhe chama o André) e os sinais exteriores de riqueza do Bispo da IURD. É aquilo que interessa que se saiba.