21 de setembro de 2005

País estranho

Existe um país onde um cidadão de 81 anos depois de ter cumprido 10 anos de mandato como Presidente da República e de ter estado 10 anos de molho decide candidatar-se novamente para salvar o país de um fantasma, passando por cima de um amigo de longa data.

Existe um país onde três candidatos autárquicos com fortes probabilidades de vencer estão indiciados por processos fraudulentos e uma outra candidata a candidata com mandato de prisão emitido e foragida no Brasil, tem toda a cidade a aguardá-la tal qual D.Sebastião.

Existe um país onde o único escritor galardoado com o prémio nobel da Literatura vive no país vizinho.

Existe um país de onde é oriundo aquele que é considerado o melhor treinador de futebol da actualidade, cujo seleccionador nacional é estrangeiro.

Existe um país onde o maior sucesso nacional do ano é um disco de originais de um músico que morreu há quinze anos.

Existe um país onde os dois guarda-redes da selecção nacional são suplentes de dois guarda-redes da mesma nacionalidade nos respectivos clubes.

Existe um país onde o nome da mascote do principal evento desportivo alguma vez organizado começa por uma letra (k) que não faz parte do seu alfabeto.

Esse país estranho é o meu país.

Esse país só gosta dele próprio e da sua bandeira quando vem alguém de fora jurar a pés juntos que somos bons.

Esse país só respeita a sua música quando ela faz sucesso no estrangeiro.

E apesar de tudo, eu adoro viver neste país!

Rogério Charraz

3 comentários:

Lusaut disse...

Não estou a entender nada!?! ;-)

A Burra Nas Couves disse...

Havia uma banda mítica dos anos 80, chamada "Os Trabalhadores do Comércio", e numa das suas canções dizia qualquer coisa como isto: "Quem me dera outro país, sem sair da mesma terra". É um pouco aquilo que sinto.

Sandra Feliciano disse...

... ou quem me dera o mesmo país, com outra gente, com outra herança cultural...